Populações de animais da floresta estão em declínio, aponta novo relatório do WWF

É preciso agir urgentemente para manter as florestas em pé e saudáveis ​​na luta contra a crise climática e pela sobrevivência de todos nós
Da Redação / Ecológico - redacao@souecologico.com
Meio Ambiente
Publicado em: 13/08/2019

A rede WWF (Fundo Mundial para a Natureza) divulgou nesta terça-feira (13) o relatório "Bellow the Canopy" (Abaixo da copa das árvores), a primeira avaliação global da biodiversidade florestal. Histórico e inédito, o levantamento avalia dados desde 1970 até 2014, o ano mais recente para o qual há dados disponíveis.

Pixabay
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O Índice Específico de Florestas mostra que as populações monitoradas de aves, mamíferos, anfíbios e répteis que vivem em florestas diminuíram, em média, 53% no período estudado. A perda e a degradação de habitat causada principalmente pela atividade humana, como o desmatamento, é a causa de 60% das ameaças a florestas e espécies florestais . Os declínios foram maiores em florestas tropicais, como a floresta amazônica. Ou seja, mesmo abaixo das árvores, a sobrevivência das espécies não está garantida.

Ainda segundo o relatório, as florestas são vitais para a saúde do planeta, uma vez que abrigam bem mais da metade das espécies terrestres do mundo e são um dos agentes responsáveis pela maior quantidade de captura de carbono, o que mitiga a crise climática. E a fauna silvestre, por sua vez, é vital para manter as florestas saudáveis ​​e produtivas, cumprindo funções como a polinização e a dispersão de sementes, além de outros papéis essenciais para sua própria regeneração e o armazenamento de carbono.

“As florestas são sistemas complexos que dependem da vida selvagem que os habita para mantê-los saudáveis, e a rápida diminuição da vida selvagem da floresta nas últimas décadas é um sinal de alerta urgente. As florestas não são apenas um tesouro da vida na Terra, mas também nosso maior aliado natural na luta contra o colapso climático. Nós os perdemos por nossa conta e risco. Precisamos que líderes globais iniciem imediatamente ações para proteger e restaurar a natureza e manter nossas florestas em pé ”, comenta Will Baldwin-Cantello, líder global em florestas no WWF.

Se quisermos reverter o declínio da biodiversidade em todo o mundo e evitar a crise climática, precisamos salvaguardar as florestas e as espécies que vivem nelas. Por isso, o WWF tem pedido aos líderes mundiais que declarem emergência planetária e assegurem um "Novo Acordo para a Natureza e para as Pessoas" até 2020, que barre a emergência climática, proteja a natureza remanescente e que torne o nosso modelo de consumo e produção mais sustentável. Proteger e restaurar florestas deve estar no centro deste acordo.

Desmatamento e licenciamento no Brasil

O desmatamento na Amazônia brasileira vem crescendo aceleradamente nos últimos sete meses. Segundo dados do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), o desmatamento de julho de 2019 teve um aumento de 278% em relação ao mesmo mês do ano passado. Nos primeiros sete meses de 2019 houve um aumento de 65% em relação ao mesmo período do ano passado.

Mas o que está ruim pode piorar. Tramita em regime de urgência na Câmara dos Deputados o PL 3.729 de 2004, que modifica toda a legislação de licenciamento ambiental. Sob a presidência de Rodrigo Maia (DEM-RJ), o projeto pode ir à votação ainda nesta semana.

Se aprovada como apresentada pelo seu relator, o deputado Kim Kataguiri (DEM-SP), o projeto permitirá que obras de infraestrutura sejam realizadas na Amazônia sem que o desmatamento, impacto indireto, seja considerado.

"Essa legislação faz o Brasil retroceder aos anos 1970, quando o governo militar abriu estradas e construiu hidrelétricas na Amazônia sem tomar qualquer cuidado socioambiental, o que levou à dizimação de povos indígenas, ao desmatamento acelerado e a muita violência ", avalia o diretor de Justiça Socioambiental do WWF-Brasil, Raul Valle. "Em função do desastre ocorrido, passamos a exigir, inclusive por pressão de financiadores internacionais, a elaboração de estudos e adoção de medidas de controle antes da aprovação de obras com grande impacto ambiental. Estamos voltando quarenta anos no tempo.

Fonte: AVIV Comunicação


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