Pontos Limpos reduzem em 15% número de deposição clandestina de lixo na Pampulha

O próximo Ponto Limpo será no bairro Engenho Nogueira, onde há uma área verde preservada, inclusive com nascente
Meio Ambiente
Publicado em: 22/11/2019

Em meio à política de diminuição do número de descartes irregulares de resíduos adotada pela Prefeitura de Belo Horizonte, a região da Pampulha terminará 2019 com quatro novos Pontos Limpos. Destes, metade foi implantada nos últimos meses, e os outros dois serão instalados até o fim do ano – um deles ainda em novembro e o outro em dezembro. Ao todo, são aproximadamente 60 Pontos Limpos na Pampulha. Na capital, são cerca de 300.

Essas iniciativas somadas às outras ações, como as de fiscalização e mobilização social, reduziram, em 2019, cerca de 15% dos pontos críticos de deposição clandestina na região. Em 2018, foram registrados cerca de 200 locais crônicos de descarte irregular de lixo e entulho. Neste ano, o número caiu para 170.

Em setembro, a ação foi feita na avenida Francisco Negrão de Lima, esquina com rua Renato Fantoni, no bairro Enseada das Garças. No lugar, eram removidas uma média de 10 toneladas por semana. Somente no dia da implantação do Ponto Limpo, foram retiradas seis toneladas de lixo. Próximo a uma escola estadual, a uma área verde e a um córrego afluente da lagoa da Pampulha, o local concentra grande fluxo de veículos e de pedestres que sofriam com os transtornos causados pelo lixo.

No mês passado, a implantação do Ponto Limpo ocorreu na rua Violeta de Melo com rua Mary Aparecida, no bairro Jardim São José. A limpeza do local, realizada no dia 30, envolveu a capina, varrição, roçada e a remoção de 5,5 toneladas de resíduos. A instalação da placa educativa, a pintura do meio fio e a campanha educativa junto aos moradores do entorno aconteceram no dia seguinte.

O próximo Ponto Limpo será instalado na rua Engenho do Campo, no bairro Engenho Nogueira, onde há uma área verde preservada, inclusive com nascente, que tem sido alvo de constantes deposições. A ação conta com o apoio da população. Morador da avenida Otacílio Negrão de Lima, Ronaldo Cássio tem o costume de utilizar a Unidade de Recebimento de Pequenos Volumes (URPV) Garças para destinar resíduos de podas e de pequenas reformas em sua casa. “Acho um crime a pessoa jogar lixo e entulho na rua, pois existem locais adequados para isso. A sujeira atinge os córregos, atrai doenças e causa danos a todos”, avalia. Ainda não foi definido onde será instalado um Ponto Limpo em dezembro.

Foto:  Andréa Moreira
Foto: Andréa Moreira

O presidente da Organização Socioambiental Terra Viva, Carlos Augusto Moreira, concorda que as deposições irregulares trazem mesmo muitos problemas. “As pessoas têm o péssimo hábito de jogar lixo em lugares inapropriados. Esse local é muito próximo da lagoa e, em caso chuva forte, poderia carregar entulho para as galerias e diretamente para a lagoa. A limpeza até embelezou o local”, comemora.

Há mais de 50 anos, Maria do Carmo Santos mora na rua Violeta de Melo e sempre viu as pessoas depositando lixo naquela região. “Era comum presenciar carroças cheias de lixo e entulho sendo despejadas ali. Achei que o lugar ficou bonito, porque está tudo limpinho. Antes o aspecto era ruim”, lembra.

Os dois locais eram alvos constantes de lixo, entulho, poda, bagulhos e animais mortos, levados por carroceiros, veículos particulares ou pelos próprios moradores do bairro, por meio de carrinhos de mão. De agora em diante, a área será monitorada pela diretoria regional de Fiscalização Pampulha e pela gerência de Limpeza Urbana Pampulha com vistorias diárias, a fim de evitar novas irregularidades.

Injustificáveis

Gerente de Limpeza Urbana Pampulha, Osvaldo do Carmo Machado ressaltou que as deposições clandestinas causam diversos transtornos ao ambiente urbano. “Além do péssimo impacto visual, temos problemas como o entupimento de galerias e bocas de lobos, assoreamento das nascentes próximas e a proliferação de vetores de doenças como ratos, escorpiões e principalmente do Aedes aegypti, transmissor da dengue”, destaca.

Para o gerente, as deposições clandestinas são injustificáveis, pois as vias na cidade são atendidas pelo serviço regular de coleta de lixo, pelo menos três vezes por semana. A população conta ainda com as URPVs, para onde podem ser destinados pequenos volumes de entulho, poda, bagulhos, móveis, entre outros resíduos volumosos não tóxicos.

Coordenadora de Atendimento Regional Pampulha, Neusa Fonseca destacou o papel da população como parceira do poder público: “Inibir as deposições clandestinas é uma das importantes metas desta gestão. A população pode ajudar ficando atenta e denunciando os infratores nos canais oficiais que a Prefeitura disponibiliza”, lembra.


Postar comentário