Florestas submarinas

Os recifes de coral servem de criadouro e abrigo para diferentes espécies de interesse humano, seja como fonte de alimento seja de substâncias para pesquisas farmacológicas ou como atrativo turístico
Luciana Morais - redacao@revistaecologico.com.br
Ecológico nas Escolas
Edição 122 - Publicado em: 14/02/2020

Passadas as férias escolares, decidimos “mergulhar” bem fundo para desvendar mistérios e curiosidades da nossa rica biodiversidade marinha. Mais precisamente para entender a importância e a necessidade de conservação dos recifes de coral, bem como o impacto de sua degradação em diferentes partes do mundo.
O passaporte para a nossa viagem é o “Projeto Coral Vivo” que, desde 2003, trabalha com pesquisa e educação para a conservação e o uso sustentável dos ambientes recifais e das comunidades coralíneas brasileiras. As ações são desenvolvidas no sul da Bahia e se baseiam em três pilares: geração de conhecimento (pesquisa), ensino e educação ambiental e sensibilização e mobilização da sociedade.

Considerados um dos mais antigos e ricos ecossistemas da Terra, os recifes de coral têm grande importância ecológica, social e econômica – podendo ser comparados às nossas florestas tropicais. Sua enorme diversidade de vida se comprova quando constatamos que uma em cada quatro espécies marinhas vive nos recifes de coral, incluindo 65% das espécies de peixes.

Mas o que são corais? São animais marinhos do grupo dos cnidários, que inclui também anêmonas e águas-vivas ou medusas. Há quatro grupos animais incluídos no termo “corais”: os corais verdadeiros ou pétreos, os octocorais (gorgônias), os corais-de-fogo e os corais negros. Eles são invertebrados capazes de formar um esqueleto calcário (assim como nossos ossos) ou córneo (como nossas unhas).

Esse esqueleto é responsável pela fixação do coral no fundo do mar e serve também como proteção. No interior do tecido dos corais recifais podem viver várias algas microscópicas chamadas zooxantelas. Elas têm uma relação de simbiose com esse coral, na qual a alga fornece o alimento – por meio do processo de fotossíntese – e, em troca, recebe nutrientes.

Os recifes de coral são um dos ambientes mais frágeis e ameaçados do mundo. Servem de criadouro e abrigo para diferentes espécies de interesse para o homem: seja como fonte de alimento seja de substâncias para pesquisas farmacológicas ou como atrativo turístico.

Ambiente coralíneo: ocorre quando há grande concentração de corais, independentemente da formação de um recife. Não tem origem biogênica como os recifes de coral, ou seja, os corais se fi xam sobre um substrato duro, como um costão rochoso, por exemplo. A diferença entre os recifes de coral e os ambientes coralíneos está apenas no acúmulo de esqueletos uns sobre os outros, que ocorre nos recifes.

Branqueamento de corais: ocorre quando os corais sofrem estresse por aquecimento da água, acidez, poluição ou doenças. Tal fenômeno está associado à perda de algas simbiontes (zooxantelas) que vivem no interior dos tecidos dos corais recifais. Quanto mais intenso e duradouro o evento, maior a chance de o coral morrer.

Mudanças climáticas
Apesar de sua importância, os ambientes recifais em todo o mundo vêm sofrendo um rápido processo de degradação, intimamente ligado à expansão das atividades humanas e econômicas. Os oceanos em aquecimento, provavelmente como resultado das mudanças climáticas, estressam os corais a ponto de expelirem as algas que os habitam (as zooxantelas), deixando-os “branqueados”.
O branqueamento de 1998, ocorrido num dos anos mais quentes da história mundial, danificou imensas áreas de coral em todo o planeta, aumentando seriamente a quantidade de recifes danificados. Poluição de nutrientes e sedimentos, mineração de areia e rocha e o uso de explosivos e cianeto (ou outras substâncias tóxicas) na pesca também estressam os recifes mundiais.

Os recifes de coral formam um anel na região equatorial/tropical do globo terrestre. Ocorrem principalmente do lado ocidental dos oceanos Atlântico e Pacífico e, em geral, em águas rasas e quentes. Há diversos fatores ambientais que influenciam a distribuição dos recifes pelo mundo, como temperatura (geralmente vivem em águas entre 26º e 28º C, podendo estar presentes em águas de 18º a 36º C), sedimentação (excesso de sedimentos é prejudicial), profundidade (necessitam de luz), entre outros.
No Brasil, os corais e comunidades coralíneas se estendem por 2.400 quilômetros de costa, do norte do Maranhão a Cabo Frio (RJ), com espécies de corais recifais podendo chegar até Santa Catarina. Essa distância corresponde à extensão da Grande Barreira de Corais, na Austrália, considerada a maior formação recifal do mundo, com dimensões astronômicas – é possível observá-la até do espaço!

Enquanto os recifes do Brasil se distribuem de forma descontínua, na Austrália eles ocupam uma área contínua de 350 mil km². O desenvolvimento de recifes de coral na costa brasileira é restrito aos litorais nordeste e leste. Sua distribuição é limitada ao norte pelo Rio Amazonas e ao sul pelas baixas temperaturas da água, com diversas interrupções na ocorrência de corais próximo à desembocadura de rios como o São Francisco e o Doce, onde as altas taxas de sedimentação e a baixa salinidade inibem o crescimento desses animais.


Postar comentário